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PESTE SUÍNA AFRICANA (PSA) - HISTÓRICO, RISCOS E REFLEXOS NO MERCADO



POR CHARLI LUDTKE- DIRETORA TÉCNICA-ABCS

A peste suína africana (PSA) é uma doença hemorrágica altamente contagiosa, causando sérias perdas produtivas e econômicas. É uma doença de notificação obrigatória ao Serviço Veterinário Oficial, e está incluída no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Caracterizada como uma doença infecciosa viral, altamente transmissível que se caracteriza por um quadro de hemorragias nos suínos e causa destruição dos vasos sanguíneos.  

 

A doença não afeta humanos, acometendo somente os suínos domésticos e asselvajados, destacando-se os javalis. O vírus da PSA é da família Asfarviridae, e também infecta carrapatos. Relatos epidemiológicos evidenciam que a PSA tenha se originado no Leste e Sul da África a partir do ciclo silvestre pelo contato entre javalis e carrapatos que habitam suas tocas, sendo este fator limitante para a erradicação do vírus. Na África muitos surtos de PSA foram investigados e envolveram javalis e carrapatos.

 

Segundo dados da Organização de Saúde Animal (OIE), em 2019 foram confirmados vários focos da doença na China, Lituânia, România, Maldívia, Ucrânia, Mongólia, Bulgária, Nigéria, Rússia, Zimbábue, Polônia, Bélgica, Vietnam, Hungria, Camboja, Estônia, Chade.

 

Mapa da distribuição dos focos de PSA, no período de  janeiro de 2012 a maio de 2019, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

 

PSA NA CHINA E OS REFLEXOS NOS MERCADOS INTERNO E EXTERNO

 

A China consome pouco menos de metade de toda a carne suína produzida no mundo. Segundo o USDA, em 2018 foram consumidas cerca de 55 milhões de toneladas de carne suína na China. No ano de 2018 a China foi o segundo maior importador de carne brasileira, com quase 25% dos embarques, totalizando 155 mil toneladas no ano, ou seja, pouco menos de 10% das importações de carne suína da China em 2018 foram atendidas pelo Brasil. Em relação à importação mundial, em 2018, a China importou 1,6 milhão de toneladas, quase 19% de toda a carne comercializada no mundo em 2018 (USDA). Quanto à exportação, o país exporta pouco em relação à sua produção, algo em torno de 200 mil toneladas em 2018.

 

No atual momento, o país sofre com a grave epidemia de Peste Suína Africana. Muitos suínos foram sacrificados nas propriedades, e matrizes foram enviadas para o abate nos frigoríficos, visando conter a doença. Assim, pode representar uma redução de mais de 20% do rebanho em um país que detém praticamente metade do rebanho suinícola mundial (684 milhões de suínos); seria algo em torno de 134 milhões de cabeças eliminadas direta ou indiretamente em função do surto de PSA, segundo o pior cenário, conforme previsões geradas no Relatório do Rabobank.

 

A curto prazo, são incalculáveis os prejuízos ao país, pela dimensão do problema e o difícil controle, uma vez que atingiu muitas províncias e granjas de maior dimensão (tecnificadas), e não somente a suinocultura de subsistência. Com isso, há necessidade de haver a interdição das propriedades rurais atingidas, e já foram sacrificados oficialmente mais 2 milhões de suínos em regiões de focos nas províncias chinesas, provocando redução da oferta de carne suína no mercado interno e determinando a necessidade de ampliar a importação de carnes de outros países.

 

Relativamente ao mercado interno da China, certamente os preços da carne suína irão subir, porém não na mesma proporção da redução de oferta interna do produto, pois também haverá uma maior demanda por outras carnes. Não se trata de uma matemática simples, pois a China é um país que adota rápidas políticas de abastecimento, especialmente no setor alimentício, muito rígidas para não depender de outros países. O consumo de outras carnes e até mesmo o racionamento são medidas que podem limitar a escalada do preço da carne suína.

 

Está previsto, ainda, o aumento das importações chinesas de proteína animal, que terá influência nos mercados dos grandes exportadores de carnes, como EUA, Brasil e UE, pressionando para a subida de preços pagos ao produtor.

 

No mercado global, os preços estão em alta. Porém, a China ainda tem estoques, devido ao elevado abate de animais nos últimos meses, justamente em função da doença. Espera-se que no segundo semestre a redução destes estoques determine um aumento da demanda efetiva da China, elevando ainda mais os preços.

 

No Brasil, não há risco de desabastecimento do mercado interno. A exportação nos últimos anos sempre girou entre 15% e 20% da produção e, mesmo que a China aumente exponencialmente sua demanda na importação de carne suína, o Brasil tem limitações internas para aumentar muito os embarques para a China, como plantas a serem liberadas pelas missões técnicas e exigências do mercado chinês quanto ao uso de ractopamina, por exemplo. O que se espera é uma melhora considerável dos preços pagos ao produtor e um crescimento global das exportações brasileiras de carne suína em relação aos anos anteriores, especialmente pela retomada do mercado russo e pela demanda da China.

 

COMO MITIGAR OS RISCOS DE ENTRADA DA PSA NO BRASIL?

 

No Brasil, ocorreram focos de PSA em 1978, no Rio de Janeiro, e foi controlada e erradicada em 1984, sendo associada na época à alimentação de suínos com restos de alimentos de comida de bordo de vôos internacionais.

 

Dentre as maneiras de prevenção, estão a  ampliação da vigilância em portos e aeroportos, evitando que passageiros internacionais tragam alimentos de regiões que tenham focos da doença; a destruição ou o adequado destino para o lixo de aeronaves e embarcações; o estabelecimento de medidas de bioseguridade nas granjas; a atenção ao cumprimento dos requisitos sanitários para importação de suínos vivos e material genético de países de risco; a implementação de medidas de controle de javalis; a conscientização dos profissionais que atuam em granjas e de produtores de suínos, a notificação de casos suspeitos ao Serviço Veterinário Oficial, o controle de roedores e moscas nas granjas e o transporte adequado dos animais, mantendo todos os controles e lavagem e desinfecção de caminhões.

 

SINAIS CLÍNICOS DA DOENÇA

 

Na sua forma aguda, é observada alta taxa de mortalidade, febre, aumento de frequência cardíaca e respiratória, perda de apetite, cianose e incoordenação motora, letargia, hemorragias nos órgãos e na pele (comum se visualizar hemorragias nas orelhas).

 

Já, na forma crônica, há baixa taxa de mortalidade e emagrecimento intenso dos suínos, oscilação de temperatura, aumento da frequência respiratória e cardíaca e diversas áreas de necrose (feridas) da pele e artrite.

 

Para animais suspeitos da doença deve-se procurar o Serviço Veterinário Oficial mais próximo para realizar o diagnóstico, e havendo a confirmação, a propriedade é interditada e os animais serão sacrificados, pois não há tratamento e os suínos que sobrevivem permanecem como portadores (possíveis disseminadores do vírus).

 

Suínos apresentando vasos dilatados e áreas de cianose nas orelhas (Imagem cedida por: Tania Lira)

 

Leitões com hemorragia subcutânea (Imagem cedida por: Tania Lira)

 

Lesões hemorrágicas no intestino (Imagem cedida por: Tania Lira)

 

Necropsia dos suínos com a maioria dos órgãos com hemorragia. Baço hemorrágico enegrecido e aumentado de volume (Imagem cedida por: Tania Lira)

 

REFERÊNCIAS

 

  1. VIANA, F.C. HISTÓRIA E MEMÓRIA DA PESTE SUÍNA AFRICANA NO BRASIL, 1978-1984: PASSOS E DESCOMPASSOS. Tese de doutorado, UFMG, 2004. Disponível em http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/BUOS-8FTK28

 

  1. OIE. AFRICAN SWINE FEVER. Techinical disease card. www.oie.int

 

  1. ISHIZUKA, M.M. EPIDEMIOLOGIA DA PESTE SUÍNA AFRICANA (PSA),  ABRIL,  2019. Epidemiologia das Doenças infecciosas – FMVZ-USP.

30/07/2019 - CHARLI LUDTKE- DIRETORA TÉCNICA-ABCS

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